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	<title>Blog dos Poetas</title>
	
	<link>http://blog.sitedepoesias.com.br</link>
	<description>Poemas de escritores famosos e consagrados</description>
	<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 02:59:05 +0000</pubDate>
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		<title>A Miragem</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-miragem/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-miragem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 02:59:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Marcus Viana]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois sabem que há uma fonte
Oculta nas areias...
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah! Se pudéssemos contar<br />
As voltas que a vida dá<br />
Pra que a gente possa<br />
Encontrar um grande amor&#8230;</p>
<p>É como se pudéssemos contar<br />
Todas estrelas do céu<br />
Os grãos de areia desse mar<br />
Ainda assim&#8230;</p>
<p>Pobre coração<br />
O dos apaixonados<br />
Que cruzam o deserto<br />
Em busca de um oásis em flor<br />
Arriscando tudo por<br />
Uma miragem<br />
Pois sabem que há uma fonte<br />
Oculta nas areias&#8230;</p>
<p>Bem aventurados<br />
Os que dela bebem<br />
Porque para sempre<br />
Serão consolados&#8230;</p>
<p>Somente por amor<br />
A gente põe a mão<br />
No fogo da paixão<br />
E deixa se queimar<br />
Somente por amor&#8230;</p>
<p>Movemos terra e céus<br />
Rasgando sete véus<br />
Saltamos do abismo<br />
Sem olhar prá trás<br />
Somente por amor<br />
E a vida se refaz&#8230;</p>
<p>Somente por amor<br />
A gente põe a mão<br />
No fogo da paixão<br />
E deixa se queimar<br />
Somente por amor&#8230;</p>
<p>Movemos terra e céus<br />
Rasgando sete véus<br />
Saltamos do abismo<br />
Sem olhar prá trás<br />
Somente por amor<br />
A vida se refaz<br />
E a morte não é mais<br />
Prá nós!&#8230;</p>
<p><a href="http://www2.uol.com.br/marcusviana/index/portugues/index.html">(Site oficial de Marcus Viana)</a></p>
<div><em>Feliz Aniversário, <a href="http://www.sitedepoesias.com.br/poetas/teresa">Teresa Cordioli!</a> </em></div>
<ul>
<li>Marcus Viana</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>No descomeço era o verbo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/no-descomeco-era-o-verbo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/no-descomeco-era-o-verbo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 02:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Manoel de Barros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1634</guid>
		<description><![CDATA[No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No descomeço era o verbo.<br />
Só depois é que veio o delírio do verbo.<br />
O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a criança diz:<br />
eu escuto a cor dos passarinhos.<br />
A criança não sabe que o verbo escutar não<br />
Funciona para cor, mas para som.<br />
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.<br />
E pois.<br />
Em poesia que é voz de poeta,<br />
que é a voz<br />
De fazer nascimentos -<br />
O verbo tem que pegar delírio.</p>
<ul>
<li>Manoel de Barros</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Quanta vez o que resta…</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/quanta-vez-o-que-resta/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/quanta-vez-o-que-resta/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 02:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Vasco Costa Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1636</guid>
		<description><![CDATA[Quanta vez o que resta é essa frágil chave
perdida na algibeira da infância
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Arial;">Quanta vez o que resta da memória<br />
é só um breve trecho de canção<br />
a porta que se abre ao fundo do segredo<br />
dócil subitamente à nossa mão</span></p>
<p>Quanta vez o que resta é essa frágil chave<br />
perdida na algibeira da infância<br />
que franqueia de novo os portais para a vida<br />
que promete de novo um percurso à bonança</p>
<p><span style="Arial;">Extraído de <a href="http://poesiadosdiasuteis-vcm.blogspot.com/">Poesia dos Dias Úteis</a></span></p>
<ul>
<li>Vasco Costa Marques</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Poema</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poema/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poema/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 01:51:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1632</guid>
		<description><![CDATA[E se o que tanto busca só existe
em tua limpida loucura
- que importa?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O grilo procura<br />
no escuro<br />
o mais puro diamante perdido.</p>
<p>O grilo<br />
com as suas frágeis britadeiras de vidro<br />
perfura</p>
<p>as implacáveis solidões noturnas.</p>
<p>E se o que tanto busca só existe<br />
em tua limpida loucura</p>
<p>- que importa? -</p>
<p>isso<br />
exatamente isso<br />
é o teu diamante mais puro!</p>
<ul>
<li>Mario Quintana</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Considerações de Aninha</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/consideracoes-de-aninha/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/consideracoes-de-aninha/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 02:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Cora Coralina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1446</guid>
		<description><![CDATA[Melhor do que a criatura, 
fez o criador a criação.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Melhor do que a criatura,<br />
fez o criador a criação.<br />
A criatura é limitada.<br />
O tempo, o espaço,<br />
normas e costumes.<br />
Erros e acertos.<br />
A criação é ilimitada.<br />
Excede o tempo e o meio.<br />
Projeta-se no Cosmos.</p>
<ul>
<li>Cora Coralina</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pequena Flor</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pequena-flor/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pequena-flor/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 02:48:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1630</guid>
		<description><![CDATA[Assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
Há um coração]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme<br />
E se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas<br />
Na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme</p>
<p>E vê passarem as leves borboletas livremente<br />
E ouve cantarem os pássaros acordados sem angústia<br />
E o sol claro do dia às claras estátuas beijando sente</p>
<p>E espera que se desprenda o excessivo, úmido orvalho<br />
Pousado, trêmulo, e sabe que talvez o vento<br />
A libertasse, porém a desprenderia do galho</p>
<p>E nesse temor e esperança aguarda o mistério transida<br />
- Assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas<br />
Há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida</p>
<ul>
<li>Cecília Meireles</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Fruto</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-fruto/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-fruto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 02:55:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainer Rilke]]></category>

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		<description><![CDATA[Floresceu, sem cessar, todo um verão
na árvore obstinada, noite e dia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Subia, algo subia, ali, do chão,<br />
quieto, no caule calmo, algo subia,<br />
até que se fez flama em floração<br />
clara e calou sua harmonia.</p>
<p>Floresceu, sem cessar, todo um verão<br />
na árvore obstinada, noite e dia,<br />
e se soube futura doação<br />
diante do espaço que o acolhia.</p>
<p>E quando, enfim, se arredondou, oval,<br />
na plenitude de sua alegria,<br />
dentro da mesma casca que o encobria<br />
volveu ao centro original.</p>
<p>Tradução de Augusto de Campos</p>
<div>Fonte:<a href="http://www.culturapara.art.br/opoema/opoema.htm"> O poema</a></div>
<ul>
<li>Rainer Rilke</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Em sobressalto</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/em-sobressalto/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/em-sobressalto/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 15:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Henriqueta Lisboa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1622</guid>
		<description><![CDATA[elas se impõem de cátedra
com implacável desfaçatez
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As notícias me sobressaltam. Dia a dia<br />
cada vez mais terríveis.<br />
Brotam da terra pelos poros<br />
entram pela janela em silvos ásperos<br />
fazem pilha no chão em letras tortas<br />
caem das nuvens em mortalhas.<br />
E já são outras realidades apostas<br />
ao retoque dos memorandos<br />
às interpretações da ribalta<br />
ao sortilégio da casa dos contos<br />
ao ruminar dos bois — fuga e refúgio.<br />
Em confronto são dúbias<br />
precipitam-se acotovelam-se<br />
em contramarcha se repelem.<br />
Na deturpação do humano<br />
anunciam com alvoroço<br />
através de pinças de fogo<br />
em cartazes de gelo<br />
— o suicídio da multidão em nome de Deus<br />
— o império do vício em nome da Arte<br />
— o sequestro do juiz em prol da Justiça<br />
— o arremesso de touros em via pública<br />
para a alegria dos que se salvam.<br />
 <br />
Recuso-me a acreditar nas notícias<br />
mas elas se impõem de cátedra<br />
com implacável desfaçatez<br />
talvez para convencer-nos<br />
de que somos todos culpados.<br />
Agem assim como tóxicos<br />
impunemente sorvidos<br />
nas delongas do tédio.<br />
A busca de notícias é um mórbido<br />
caminhar para a cruz<br />
Sem embargo as procuro com empenho<br />
na expectativa tantas vezes vã<br />
de que à noite se mudem<br />
na reparação no contraveneno<br />
das notícias colhidas pela manhã.</p>
<p>Henriqueta Lisboa (1901-1985), poeta mineira<br />
considerada pela crítica<br />
um dos grandes nomes da lírica modernista,<br />
dedicou-se à poesia, ensaios e traduções (&#8230;)</p>
<p>Fonte: jornal de poesia</p>
<ul>
<li>Henriqueta Lisboa</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>De Longe te Hei de Amar</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/de-longe-te-hei-de-amar/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/de-longe-te-hei-de-amar/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 02:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1548</guid>
		<description><![CDATA[Tranqüila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De longe te hei de amar,<br />
- da tranqüila distância<br />
em que o amor é saudade<br />
e o desejo, constância.</p>
<p>Do divino lugar<br />
onde o bem da existência<br />
é ser eternidade<br />
é parecer ausência.</p>
<p>Quem precisa explicar<br />
o momento e a fragrância<br />
da Rosa, que persuade<br />
sem nenhuma arrogância?</p>
<p>E, no fundo do mar,<br />
a estrela, sem violência,<br />
cumpre a sua verdade,<br />
alheia à transparência.</p>
<ul>
<li>Cecília Meireles</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/de-longe-te-hei-de-amar/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Notícia da Manhã</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noticia-da-manha/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noticia-da-manha/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 02:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Thiago de Mello]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1591</guid>
		<description><![CDATA[( Há muita, muita manhã
no menino; e um pouco em mim. )]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei que todos viram<br />
e jamais esquecerão.<br />
Mas é possível que alguém,<br />
denso de noite, estivesse<br />
profundamente dormido.<br />
E aos dormidos - e também<br />
aos que estavam muito longe<br />
e não puderam chegar,<br />
aos que estavam perto e perto<br />
permaneceram sem vê-la;<br />
aos moribundos nos catres<br />
e aos cegos de coração -<br />
a todos que não a viram<br />
contratei desta manhã<br />
- manhã é céu derramado<br />
é cristal de claridão -<br />
que reinou, de leste a oeste,<br />
de morro a mar - na cidade.</p>
<p>Pois dentro desta manhã<br />
vou caminhando. E me vou tão feliz como a criança<br />
que me leva pela mão.<br />
Não tenho nem faço rumo:<br />
vou no rumo da manhã,<br />
levado pelo menino<br />
( ele conhece caminhos<br />
e mundos, melhor do que eu) .</p>
<p>Amorosa e transparente,<br />
esta é a sagrada manhã<br />
que o céu inteiro derrama<br />
sobre os campos, sobre as casas,<br />
sobre os homens, sobre o mar.<br />
Sua doce claridade<br />
já se espalhou mansamente<br />
por sobre todas as dores.<br />
Já lavou a cidade. Agora,<br />
vai lavando corações<br />
( não o do menino; o meu,<br />
que é cheio de escuridões ) .</p>
<p>Por verdadeira, a manhã<br />
vai chamando outras manhãs<br />
sempre radiosas que existem<br />
( e às vezes tarde despontam<br />
ou não despontam jamais)<br />
dentro dos homens e das coisas:<br />
na roupa estendida à corda,<br />
nos navios chegando,<br />
nas torres das igrejas,<br />
nos pregões dos peixeiros,<br />
na serra circular dos operários,<br />
nos olhos da moça que passa, tão bonita!<br />
A manhã está no chão, está nas palmeiras,<br />
está no quintal dos subúrbios,<br />
está nas avenidas centrais,<br />
está nos terraços dos arranha-céus.<br />
( Há muita, muita manhã<br />
no menino; e um pouco em mim. )</p>
<p>A beleza mensageira<br />
desta radiosa manhã<br />
não se resguardou no céu<br />
nem ficou apenas no espaço,<br />
feita de sol e de vento,<br />
sobrepairando a cidade.<br />
Não: a manhã se deu ao povo.</p>
<p>A manhã é geral.</p>
<p>As árvores da rua,<br />
a réstia do mar,<br />
as janelas abertas,<br />
o pão esquecido no degrau,<br />
as mulheres voltando da feira,<br />
os vestidos coloridos,<br />
o casal de velhos rindo na calçada,<br />
o homem que passa com cara de sono,<br />
a provisão de hortaliças,<br />
o negro na bicicleta,<br />
o barulho do bonde.<br />
Os passarinhos namorando<br />
- ah! pois todas essas coisas<br />
que minha ternura encontra<br />
num pedacinho de rua,<br />
dão eterno testemunho<br />
da amada manhã que avança<br />
e de passagem derrama<br />
aqui uma alegria,<br />
ali entrega uma frase<br />
( como o dia está bonito! )<br />
à mulher que abre a janela,<br />
além deixa uma esperança,<br />
mais além uma coragem,<br />
e além, aqui e ali<br />
pelo campo e pela serra,<br />
aos mendigos e aos sovinas,<br />
aos marinheiros, aos tímidos,<br />
aos desgarrados, aos prósperos,<br />
aos solitários, aos mansos,<br />
às velhas virgens, às puras<br />
e às doidivanas também,<br />
a manhã vai derramando<br />
uma alegria de viver,<br />
vai derramando um perdão,<br />
vai derramando uma vontade de cantar.</p>
<p>E de repente a manhã<br />
- manhã é céu derramado,<br />
é claridão, claridão -<br />
foi transformando a cidade<br />
numa praça imensa praça,<br />
e dentro da praça o povo<br />
o povo inteiro cantando,<br />
dentro do povo o menino<br />
me levando pela mão.</p>
<p><a href="http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/obras-literarias-menu/index.php">Fonte: Portal São Francisco - Obras Literárias</a></p>
<ul>
<li>Thiago de Mello</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noticia-da-manha/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Humildade…</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/humildade/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/humildade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 03:41:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1546</guid>
		<description><![CDATA[Cantem outros de amor ou rujam de ira.
Eu não canto, nem rujo... nem me queixo...
e vou...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rolar&#8230; girar&#8230; O Mundo rola e gira<br />
constantemente, em torno de seu eixo.<br />
Rolam astros e tempos&#8230; Eu me deixo<br />
rolar, também, sem ambição nem mira.</p>
<p>Cantem outros de amor ou rujam de ira.<br />
Eu não canto, nem rujo&#8230; nem me queixo&#8230;<br />
e vou, mágoas a fora, como um seixo<br />
vai, rio abaixo, na água, que suspira.</p>
<p>Vai, rio abaixo, na água: e a água o converte<br />
em gota, seixo líquido&#8230; E, antes isso<br />
do que ser pedra grande - bruta e inerte!</p>
<p>Antes ser livre seixo, à correnteza,<br />
que ser bloco de mármore&#8230; ao serviço<br />
de Sua Majestade ou Sua Alteza&#8230;</p>
<ul>
<li>Hermes Fontes</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/humildade/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>On This Wondrous Sea</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/on-this-wondrous-sea/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/on-this-wondrous-sea/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 02:55:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Emily Dickinson]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1445</guid>
		<description><![CDATA[Conhecereis a praia
Onde a vaga se espraia
E a tempestade cessou?
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>On This Wondrous Sea</div>
<div>
<div> </div>
<div>On this wondrous sea,</div>
<div>Sailing silently,</div>
<div>Ho! Pilot, ho!</div>
<div>Knowest thou the shore</div>
<div>Where no breakers roar</div>
<div>Where the storm is o&#8217;er?</div>
<div> </div>
<div>In the peaceful west</div>
<div>Many sails at rest,</div>
<div>The anchors fast;</div>
<div>Thither I pilot thee.</div>
<div>Land! Ho! Eternity!</div>
<div>Ashore at last!</div>
<div> </div>
<div>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</div>
<div>Neste Mar Prodigioso</div>
<div> </div>
<div>
<div>Neste mar prodigioso,</div>
<div>Velejando silencioso,</div>
<div>Ho! Timoneiro, ho!</div>
<div>Conhecereis a praia</div>
<div>Onde a vaga se espraia</div>
<div>E a tempestade cessou?</div>
<div> </div>
<div>Ao ocidente - remanso</div>
<div>De velas em descanso,</div>
<div>Âncoras na imobilidade -</div>
<div>Vou para lá vos guiar.</div>
<div>Terra à vista! Eternidade!</div>
<div>Enfim, desembarcar!</div>
</div>
</div>
<div> </div>
<div> </div>
<div><span style="Arial;">(Emily Dickinson, Poemas. Editora Hucitec, SP, 1991. Tradução de Idelma Ribeiro de Faria, p. 62 e 63)</span></div>
<ul>
<li>Emily Dickinson</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Povo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/povo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/povo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 01:38:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Martins Fontes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1543</guid>
		<description><![CDATA[O povo és tu, sou eu: nós somos povo.
E bendigamos a perfeita graça
De pertencer à multidão]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O povo és tu, sou eu: nós somos povo.<br />
E bendigamos a perfeita graça<br />
De pertencer à multidão, à massa,<br />
Diante da qual me inclino e me comovo.</p>
<p>Dela é que há de surgir o mundo novo.<br />
E partícula dessa populaça,<br />
Sinto que a prepotência me espedaça,<br />
Mas do posto em que estou não me demovo.</p>
<p>Esqueço a Torre de Marfim da lenda.<br />
E, a clarinar, me envolvo na contenda,<br />
Ressangrando às pedradas e aos apodos.</p>
<p>Nada de caridade ou de piedade.<br />
Mas de união ou solidariedade,<br />
Sendo todos por um, sendo um por todos.</p>
<ul>
<li>Martins Fontes</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Noite de Saudade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noite-de-saudade/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noite-de-saudade/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 02:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1468</guid>
		<description><![CDATA[Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
é que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A noite vem pousando devagar<br />
Sobre a terra, que inunda de amargura&#8230;<br />
E nem sequer a bênção do luar<br />
A quis tornar divinamente pura&#8230;</p>
<p>Ninguém vem atrás dela a acompanhar<br />
A sua dor que é cheia de tortura&#8230;<br />
E eu ouço a noite imensa soluçar!<br />
E eu ouço soluçar a noite escura!</p>
<p>Porque és assim tão &#8217;scura, assim tão triste?!<br />
É que, talvez, ó noite, em ti existe<br />
Uma saudade igual à que eu contenho!</p>
<p>Saudade que eu nem sei donde me vem&#8230;<br />
Talvez de ti, ó noite!&#8230; Ou de ninguém!&#8230;<br />
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!</p>
<p>(in Florbela Espanca, A Mensageira das Violetas, Antologia)</p>
<ul>
<li>Florbela Espanca</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noite-de-saudade/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A Rota do Indivíduo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-rota-do-individuo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-rota-do-individuo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 02:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Orlando Morais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1539</guid>
		<description><![CDATA[No mistério solitário na penugem
Vê-se a vida correndo, parada
Como se não existisse chegada]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mera luz<br />
Que invade a tarde cinzenta<br />
E algumas folhas deitam sobre a estrada<br />
O frio é o agasalho que esquenta<br />
O coração gelado quando venta<br />
Movendo a água abandonada</p>
<p>Restos de sonho<br />
Sobre o novo dia<br />
Amores nos vagões<br />
Vagões nos trilhos<br />
Parece é a ferrovia<br />
Que mesmo não te vendo te vigia<br />
Como mãe que dorme olhando os filhos<br />
Com os olhos na estrada</p>
<p>E no mistério solitário na penugem<br />
Vê-se a vida correndo, parada<br />
Como se não existisse chegada<br />
Na tarde distante ferrugem<br />
Ou nada</p>
<ul>
<li>Orlando Morais</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-rota-do-individuo/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Via -Láctea - XXXIV</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/via-lactea-xxxiv/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/via-lactea-xxxiv/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 02:55:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1450</guid>
		<description><![CDATA[E o chão, sob os seus passos murmurando,
Segue-a de um hino, de rumor de festa...
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando adivinha que vou vê-la, e à escada<br />
Ouve-me a voz e o meu andar conhece,<br />
Fica pálida, assusta-se, estremece,<br />
E não sei por que foge envergonhada.</p>
<p>Volta depois.  À porta, alvoroçada,<br />
Sorrindo, em fogo as faces, aparece:<br />
E talvez entendendo a muda prece<br />
De meus olhos, adianta-se apressada.</p>
<p>Corre, delira, multiplica os passos;<br />
E o chão, sob os seus passos murmurando,<br />
Segue-a de um hino, de rumor de festa&#8230;</p>
<p>E ah! que desejo de a tomar nos braços,<br />
O movimento rápido sustando<br />
Das duas asas que a paixão lhe empresta</p>
<p>(in Poesias, Olavo Bilac, Via -Láctea)</p>
<ul>
<li>Olavo Bilac</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/via-lactea-xxxiv/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Suspensas Fugas</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/suspensas-fugas/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/suspensas-fugas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 04:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1536</guid>
		<description><![CDATA[E teus olhos abertos nos meus fechados.
E esta ausência em minha boca:
pois bem sei que falar é o mesmo que morrer]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para pensar em ti todas as horas fogem:<br />
o tempo humano expira em lágrima e cegueira.<br />
Tudo são praias onde o mar afoga o amor.</p>
<p>Quero a insônia, a vigília, uma clarividência<br />
deste instante que habito - ai, meu domínio triste!,<br />
ilha onde eu mesma nada sei fazer por mim.</p>
<p>Vejo a flor; vejo no ar a mensagem das nuvens<br />
- e na minha memória és imortalidade -<br />
vejo as datas, escuto o próprio coração.</p>
<p>E depois o silêncio. E teus olhos abertos<br />
nos meus fechados. E esta ausência em minha boca:<br />
pois bem sei que falar é o mesmo que morrer:</p>
<p>Da vida à Vida, suspensas fugas.</p>
<p><small>(De: &#8216;Solombra&#8221;, 1963.)</small></p>
<ul>
<li>Cecília Meireles</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/suspensas-fugas/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Noturno</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noturno-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noturno-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Sep 2008 02:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Ariano Suassuna]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1575</guid>
		<description><![CDATA[Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Verdana;">Têm para mim Chamados de outro mundo<br />
as Noites perigosas e queimadas,<br />
quando a Lua aparece mais vermelha<br />
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,<br />
são Ouropéis antigos e fantasmas<br />
que, nesse Mundo vivo e mais ardente<br />
consumam tudo o que desejo Aqui.</span></p>
<p>Será que mais Alguém vê e escuta?</p>
<p>Sinto o roçar das asas Amarelas<br />
e escuto essas Canções encantatórias<br />
que tento, em vão, de mim desapossar.</p>
<p>Diluídos na velha Luz da lua,<br />
a Quem dirigem seus terríveis cantos?</p>
<p>Pressinto um murmuroso esvoejar:<br />
passaram-me por cima da cabeça<br />
e, como um Halo escuso, te envolveram.<br />
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,<br />
a ventania me agitando em torno<br />
esse cheiro que sai de teus cabelos.</p>
<p>Que vale a natureza sem teus Olhos,<br />
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?</p>
<p>Da terra sai um cheiro bom de vida<br />
e nossos pés a Ela estão ligados.<br />
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,<br />
abrase fundamente as minhas mãos&#8230;</p>
<p>Mas, não: a luz Escura inda te envolve,<br />
o vento encrespa as Águas dos dois rios<br />
e continua a ronda, o Som do fogo.</p>
<p>Ó meu amor, por que te ligo à Morte?</p>
<p><span style="Verdana;">Fonte: <a href="http://www.releituras.com/index.asp">releituras</a></span></p>
<ul>
<li>Ariano Suassuna</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/noturno-2/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Procura da Poesia</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/procura-da-poesia/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/procura-da-poesia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 01:15:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1534</guid>
		<description><![CDATA[Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não faças versos sobre acontecimentos.<br />
Não há criação nem morte perante a poesia.<br />
Diante dela, a vida é um sol estático,<br />
não aquece nem ilumina.<br />
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.<br />
Não faças poesia com o corpo,<br />
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.</p>
<p>Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro<br />
são indiferentes.<br />
Não me reveles teus sentimentos,<br />
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.<br />
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.</p>
<p>Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.<br />
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.<br />
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.</p>
<p>O canto não é a natureza<br />
nem os homens em sociedade.<br />
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.<br />
A poesia (não tires poesia das coisas)<br />
elide sujeito e objeto.</p>
<p>Não dramatizes, não invoques,<br />
não indagues. Não percas tempo em mentir.<br />
Não te aborreças.<br />
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,<br />
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família<br />
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.</p>
<p>Não recomponhas<br />
tua sepultada e merencória infância.<br />
Não osciles entre o espelho e a<br />
memória em dissipação.<br />
Que se dissipou, não era poesia.<br />
Que se partiu, cristal não era.</p>
<p>Penetra surdamente no reino das palavras.<br />
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.<br />
Estão paralisados, mas não há desespero,<br />
há calma e frescura na superfície intata.<br />
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.</p>
<p>Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.<br />
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.<br />
Espera que cada um se realize e consume<br />
com seu poder de palavra<br />
e seu poder de silêncio.<br />
Não forces o poema a desprender-se do limbo.<br />
Não colhas no chão o poema que se perdeu.<br />
Não adules o poema. Aceita-o<br />
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada<br />
no espaço.</p>
<p>Chega mais perto e contempla as palavras.<br />
Cada uma<br />
tem mil faces secretas sob a face neutra<br />
e te pergunta, sem interesse pela resposta,<br />
pobre ou terrível que lhe deres:<br />
Trouxeste a chave?</p>
<p>Repara:<br />
ermas de melodia e conceito<br />
elas se refugiaram na noite, as palavras.<br />
Ainda úmidas e impregnadas de sono,<br />
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.</p>
<ul>
<li>Carlos Drummond de Andrade</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/procura-da-poesia/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Cantares do Sem-Nome e de Partidas.</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cantares-do-sem-nome-e-de-partidas/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cantares-do-sem-nome-e-de-partidas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 02:55:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Hilda Hilst]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1473</guid>
		<description><![CDATA[Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="Arial;"><span style="small;"><span style="Times New Roman;">I-</span></span></span></div>
<div>Que este amor não me cegue nem me siga.<br />
E de mim mesma nunca se aperceba.<br />
Que me exclua do estar sendo perseguida<br />
E do tormento<br />
De só por ele me saber estar sendo.<br />
Que o olhar não se perca nas tulipas<br />
Pois formas tão perfeitas de beleza<br />
Vêm do fulgor das trevas.<br />
E o meu Senhor habita o rutilante escuro<br />
De um suposto de heras em alto muro.</div>
<div>Que este amor só me faça descontente<br />
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas<br />
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra<br />
Como só soem ser aranhas e formigas.</div>
<p>Que este amor só me veja de partida. </p>
<p>Fonte: <a href="http://www.hildahilst.com.br/index.php">Portal Cultural Hilda Hilst</a></p>
<ul>
<li>Hilda Hilst</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cantares-do-sem-nome-e-de-partidas/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Zé do Caroço</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ze-do-caroco/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ze-do-caroco/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 00:54:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Leci Brandão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1527</guid>
		<description><![CDATA[Está nascendo um novo líder
No morro do pau da bandeira...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num serviço de auto-falante<br />
No morro do pau da bandeira<br />
Quem avisa é o Zé do Caroço:<br />
Amanhã vai fazer alvoroço,<br />
Alertando a favela inteira!</p>
<p>Ai! Como eu queria que fosse em Mangueira<br />
Que existisse outro Zé do Caroço<br />
Pra dizer de uma vez pra esse moço:<br />
&#8220;Carnaval não é esse colosso&#8230;<br />
Nossa escola é raiz, é madeira&#8230;&#8221;</p>
<p>Mas é morro do pau da bandeira<br />
De uma Vila Isabel verdadeira<br />
Que o Zé do Caroço trabalha,<br />
Que o Zé do Caroço batalha<br />
E que malha o preço da feira;</p>
<p>E na hora que a televisão brasileira<br />
Destrói toda a gente com a sua novela,<br />
É que o Zé bota a boca no mundo:<br />
Ele faz um discurso profundo.<br />
Ele quer ver o bem da favela.</p>
<p>Está nascendo um novo líder<br />
No morro do pau da bandeira&#8230;<br />
Está nascendo um novo líder<br />
No morro do pau da bandeira&#8230;</p>
<p><small><a href="http://br.youtube.com/watch?v=3m3ei-uLPWw" class="external">(Seu Jorge cantando &#8220;Zé do Caroço&#8221;)</a></small></p>
<ul>
<li>Leci Brandão</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ze-do-caroco/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Éden Hades</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/eden-hades/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/eden-hades/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 11:55:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Olga Savary]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1459</guid>
		<description><![CDATA[Estas as figurações do sonho: 
uma placa de prata e um nome inscrito, 
hoje apagado, gravado há muito, 
muito tempo. E só.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Arial;">Jardins de água fartavam-nos<br />
de sol inchado em veias<br />
pendendo como manga<br />
e eu era como dono de navio<br />
altivo e digno. Que nem vogal<br />
aberta, abri portas para a areia<br />
em repentina perda da memória.<br />
Que o ar seja bebido tal um navio.<br />
Tudo o que é brisa aflora nos terraços<br />
e vibra nos sagarços sobre as vagas.<br />
Apanhada na armadilha<br />
Faz-se a treva manhã.<br />
Estas as figurações do sonho:<br />
uma placa de prata e um nome inscrito,<br />
hoje apagado, gravado há muito,<br />
muito tempo. E só. Os deuses nos convocam,<br />
nos querem a todo porque nada querem,<br />
riem de nós, perdem-nos ao nos buscar<br />
e às nossas perguntas<br />
fazem ouvidos moucos,<br />
não respondem senão ao eco<br />
oco. Tudo perde o sentido<br />
mal é pronunciado.</span></p>
<p><span style="Arial;">Fonte:<a href="http://palavrarte.com/"> Palavrarte</a></span></p>
<ul>
<li>Olga Savary</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/eden-hades/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O Relógio</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-relogio-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-relogio-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2008 02:14:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Jorge de Lima]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1495</guid>
		<description><![CDATA[O relógio trabalha... E um sorri e outro chora,
Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos
Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relógio, meu amigo, és a Vida em Segundos&#8230;<br />
Consulto-te: um segundo! E quem sabe se agora,<br />
Como eu próprio, a pensar, pensará doutros mundos<br />
Alma que filosofa e investiga e labora?</p>
<p>Há de a morte ceifar somas de moribundos.<br />
O relógio trabalha&#8230; E um sorri e outro chora,<br />
Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos<br />
Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora&#8230;</p>
<p>Relógio, meu amigo, és o meu companheiro,<br />
Que aos vencidos, aos réus, aos párias e ao morfético<br />
Tem posturas de algoz e gestos de coveiro&#8230;</p>
<p>Relógio, meu amigo, as blasfêmias e a prece,<br />
Tudo encerra o segundo, insólito - sintético:<br />
A volúpia do beijo e a mágoa que enlouquece!</p>
<ul>
<li>Jorge de Lima</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mundo Interior</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mundo-interior/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mundo-interior/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Aug 2008 02:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouço que a natureza é uma lauda eterna 
de pompa, de fulgor, de movimento e lida...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouço que a natureza é uma lauda eterna<br />
De pompa, de fulgor, de movimento e lida,<br />
Uma escala de luz, uma escala de vida<br />
De sol à ínfima luzerna.</p>
<p>Ouço que a natureza, - a natureza externa, -<br />
Tem o olhar que namora e o gesto que intimida,<br />
Feiticeira que ceva uma hidra de Lerna<br />
Entre as flores da bela Armida.</p>
<p>E contudo, se fecho os olhos, e mergulho<br />
Dentro de mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo<br />
Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,</p>
<p>Rola a vida imortal e o eterno cataclismo, <br />
E, como o outro, guarda em seu âmbito enorme,<br />
Um segredo que atrai, que desafia, - e dorme.</p>
<ul>
<li>Machado de Assis</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Admirável Expressão que Faz o Poeta de seu Atencioso Silêncio</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/admiravel-expressao-que-faz-o-poeta-de-seu-atencioso-silencio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/admiravel-expressao-que-faz-o-poeta-de-seu-atencioso-silencio/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 03:27:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1494</guid>
		<description><![CDATA[Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.
O mal, que fora encubro, ou que desminto,
Dentro no coração é que o sustento]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Largo em sentir, em respirar sucinto,<br />
Peno, e calo, tão fino, e tão atento,<br />
Que fazendo disfarce do tormento,<br />
Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.</p>
<p>O mal, que fora encubro, ou que desminto,<br />
Dentro no coração é que o sustento:<br />
Com que, para penar é sentimento,<br />
Para não se entender é labirinto.</p>
<p>Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;<br />
Da tempestade é o estrondoso efeito:<br />
Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.</p>
<p>Mas oh do meu segredo alto conceito!<br />
Pois não me chegam a vir à boca os tiros<br />
Dos combates que vão dentro no peito.</p>
<ul>
<li>Gregório de Matos</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Rua dos Cataventos ( I )</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-rua-dos-cataventos-i/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-rua-dos-cataventos-i/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 15:19:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1517</guid>
		<description><![CDATA[Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo diante da janela aberta.<br />
Minha caneta é cor das venezianas:<br />
Verde!&#8230; E que leves, lindas filigranas<br />
Desenha o sol na página deserta!</p>
<p>Não sei que paisagista doidivanas<br />
Mistura os tons&#8230; acerta&#8230; desacerta&#8230;<br />
Sempre em busca de nova descoberta,<br />
Vai colorindo as horas quotidianas&#8230;</p>
<p>Jogos da luz dançando na folhagem!<br />
Do que eu ia escrever até me esqueço&#8230;<br />
Pra que pensar? Também sou da paisagem&#8230;</p>
<p>Vago, solúvel no ar, fico sonhando&#8230;<br />
E me transmuto&#8230; iriso-me&#8230; estremeço&#8230;<br />
Nos leves dedos que me vão pintando!</p>
<ul>
<li>Mario Quintana</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Último Vestígio</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ultimo-vestigio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ultimo-vestigio/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2008 04:01:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[José Guilherme de Araújo Jorge]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1493</guid>
		<description><![CDATA[Tudo isso, minha amiga, mudou...
A nossa vida é mesmo passageira...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tu deves te lembrar: aquela casa antiga<br />
entre o verde bambual e a frondosa mangueira,<br />
a varanda, a esconder-se sob a trepadeira,<br />
e o riacho a marulhar sua velha cantiga&#8230;</p>
<p>As flores&#8230; o jardim&#8230; a estrada: uma alva esteira<br />
onde nós a sonhar andamos sem fadiga<br />
olhando para o céu, - tudo isso, minha amiga,<br />
mudou&#8230; A nossa vida é mesmo passageira&#8230;</p>
<p>As paisagens de outrora, estranhos transformaram:<br />
- o jardim&#8230; o bambual&#8230; a estrada, e até nem sei<br />
se as águas do regato os anos não pararam&#8230;</p>
<p>Uma cousa porém, existe, eu vi depois:<br />
- é aquele coração com os nomes que eu gravei<br />
no tronco da mangueira a relembrar nós dois!&#8230;</p>
<ul>
<li>José Guilherme de Araújo Jorge</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A palavra mágica</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-palavra-magica/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-palavra-magica/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 10 Aug 2008 02:59:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1506</guid>
		<description><![CDATA[É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certa palavra dorme na sombra<br />
de um livro raro.<br />
Como desencantá-la?<br />
É a senha da vida<br />
a senha do mundo.<br />
Vou procurá-la.<br />
Vou procurá-la a vida inteira<br />
no mundo todo.<br />
Se tarda o encontro, se não a encontro,<br />
não desanimo,<br />
procuro sempre.<br />
Procuro sempre, e minha procura<br />
ficará sendo<br />
minha palavra.</p>
<div> </div>
<div>Fonte: <a href="http://memoriaviva.digi.com.br/drummond/index2.htm">Memória Viva</a></div>
<ul>
<li>Carlos Drummond de Andrade</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Uns Versos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/uns-versos/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/uns-versos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 02:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Adriana Calcanhotto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1492</guid>
		<description><![CDATA[Enquanto espero
Escrevo uns versos
Depois rasgo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou sua noite, sou seu quarto<br />
Se você quiser dormir<br />
Eu me despeço<br />
Eu em pedaços<br />
Como um silêncio ao contrário<br />
Enquanto espero<br />
Escrevo uns versos<br />
Depois rasgo<br />
Sou seu fado, sou seu bardo<br />
Se você quiser ouvir<br />
O seu eunuco, o seu soprano<br />
Um seu arauto<br />
Eu sou o sol da sua noite em claro, um rádio<br />
Eu sou pelo avesso sua pele<br />
O seu casaco<br />
Se você vai sair<br />
O seu asfalto<br />
Se você vai sair<br />
Eu chovo<br />
Sobre o seu cabelo<br />
pelo seu itinerário<br />
Sou eu o seu paradeiro<br />
Em uns versos que eu escrevo<br />
Depois rasgo</p>
<ul>
<li>Adriana Calcanhotto</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/uns-versos/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Mais alto</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mais-alto/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mais-alto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 02:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1443</guid>
		<description><![CDATA[Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Arial;">Mais alto, sim! mais alto, mais além<br />
Do sonho, onde morar a dor da vida,<br />
Até sair de mim! Ser a Perdida,<br />
A que se não encontra! Aquela a quem</span></p>
<p>O mundo não conhece por Alguém!<br />
Ser orgulho, ser àguia na subida,<br />
Até chegar a ser, entontecida,<br />
Aquela que sonhou o meu desdém!</p>
<p>Mais alto, sim! Mais alto! A intangível!<br />
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,<br />
À rutilante luz dum impossível!</p>
<p>Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber<br />
O mal da vida dentro dos meus braços,<br />
Dos meus divinos braços de Mulher!</p>
<p>(Poesia de Florbela Espanca-vol2-Charneca em Flor)</p>
<ul>
<li>Florbela Espanca</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mais-alto/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Lágrima!</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/lagrima/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/lagrima/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 02:46:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Ernâni Rosas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1491</guid>
		<description><![CDATA[É tão divina, mística e singela...
Parece feita de luar ou neve
Ou do estilhaço duma branca estrela]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ó lágrima nitente de Maria<br />
Estrela d&#8217;alva a cintilar tremente,<br />
És a divina lágrima d&#8217;um crente<br />
Na fervorosa prece da agonia.</p>
<p>Rolas de olhos trêmula e fremente<br />
Celestial, misteriosa e fria,<br />
Caias talvez na pétala sombria<br />
Dum olímpico lírio alvinitente.</p>
<p>É tão divina, mística e singela&#8230;<br />
Parece feita de luar ou neve<br />
Ou do estilhaço duma branca estrela,</p>
<p>Na flor silvestre de celeste alvura<br />
A pequenina lágrima tão breve<br />
Se congelara para sempre pura!&#8230;</p>
<ul>
<li>Ernâni Rosas</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/lagrima/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Olha-me rindo uma criança</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/olha-me-rindo-uma-crianca/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/olha-me-rindo-uma-crianca/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Jul 2008 02:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1478</guid>
		<description><![CDATA[Breve momento em que um olhar
Sorriu ao certo para mim…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha-me rindo uma criança<br />
E na minha alma madruga.<br />
Tenho razão, tenho esperança<br />
Tenho o que nunca me basta.</p>
<p>Bem sei. Tudo isto é um sorriso<br />
Que é nem sequer sorriso meu.<br />
Mas para meu não o preciso<br />
Basta ser de quem mo deu.</p>
<p>Breve momento em que um olhar<br />
Sorriu ao certo para mim…<br />
És a memória de um lugar,<br />
Onde já fui feliz assim.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.pessoa.art.br/index.php">Fernando Pessoa</a></p>
<ul>
<li>Fernando Pessoa</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/olha-me-rindo-uma-crianca/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Pedaço de Mim</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pedaco-de-mim/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pedaco-de-mim/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 03:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1490</guid>
		<description><![CDATA[A saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oh, pedaço de mim<br />
Oh, metade afastada de mim<br />
Leva o teu olhar<br />
Que a saudade é o pior tormento<br />
É pior do que o esquecimento<br />
É pior do que se entrevar</p>
<p>Oh, pedaço de mim<br />
Oh, metade exilada de mim<br />
Leva os teus sinais<br />
Que a saudade dói como um barco<br />
Que aos poucos descreve um arco<br />
E evita atracar no cais</p>
<p>Oh, pedaço de mim<br />
Oh, metade arrancada de mim<br />
Leva o vulto teu<br />
Que a saudade é o revés de um parto<br />
A saudade é arrumar o quarto<br />
Do filho que já morreu</p>
<p>Oh, pedaço de mim<br />
Oh, metade amputada de mim<br />
Leva o que há de ti<br />
Que a saudade dói latejada<br />
É assim como uma fisgada<br />
No membro que já perdi</p>
<p>Oh, pedaço de mim<br />
Oh, metade adorada de mim<br />
Lava os olhos meus<br />
Que a saudade é o pior castigo<br />
E eu não quero levar comigo<br />
A mortalha do amor<br />
Adeus</p>
<ul>
<li>Chico Buarque</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pedaco-de-mim/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>As mãos estendidas</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-maos-estendidas-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-maos-estendidas-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 02:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Olga Savary]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1460</guid>
		<description><![CDATA[Triste é não poder ter um outro vôo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em>                       A Carlos Drummond de Andrade</em></div>
<p>Nessa direção<br />
da janela aberta<br />
vem o Murundu,<br />
o bicho-papão<br />
metendo medo em<br />
quem anda acordado<br />
inda a essas horas.<br />
Em outro lugar<br />
cisma outra criança.<br />
Triste é não poder ter um outro vôo<br />
que não o poético<br />
da imaginação<br />
para a consolar.<br />
E assim ficamos<br />
entre o querer<br />
estendendo as mãos<br />
e deixando-as<br />
                    cair.</p>
<div>
<p>Fonte: <a href="http://palavrarte.com/">Palavrarte</a></p>
</div>
<ul>
<li>Olga Savary</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-maos-estendidas-2/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Caixão Fantástico</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/caixao-fantastico/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/caixao-fantastico/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 01:58:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1489</guid>
		<description><![CDATA[Hoffmânnicas visagens
Enchiam meu encéfalo de imagens
As mais contraditórias e confusas!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Célere ia o caixão, e, nele, inclusas,<br />
Cinzas, caixas cranianas, cartilagens<br />
Oriundas, como os sonhos dos selvagens,<br />
De aberratórias abstrações abstrusas!</p>
<p>Nesse caixão iam talvez as Musas,<br />
Talvez meu Pai! Hoffmânnicas visagens<br />
Enchiam meu encéfalo de imagens<br />
As mais contraditórias e confusas!</p>
<p>A energia monística do Mundo,<br />
À meia-noite, penetrava fundo<br />
No meu fenomenal cérebro cheio&#8230;</p>
<p>Era tarde! Fazia muito frio.<br />
Na rua apenas o caixão sombrio<br />
Ia continuando o seu passeio!</p>
<ul>
<li>Augusto dos Anjos</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/caixao-fantastico/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Para que sejamos necessários</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/para-que-sejamos-necessarios/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/para-que-sejamos-necessarios/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Jul 2008 02:55:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Bruna Lombardi]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1449</guid>
		<description><![CDATA[Dá-me o que de possuir tu não te importas 
e eu multiplico o que te falta e em mim existe]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Transfere de ti para mim essa dor<br />
de cabeça, esse desejo, essa violência.<br />
Que careça em ti o meu excesso<br />
e que me falte o que tu tens de sobra.</p>
<p>Que em mim perdure o que te morre cedo<br />
e que te permaneça o que tenho perdido.<br />
Que cresça, se desenvolva um teu sentido<br />
que em mim desapareça.</p>
<p>Dá-me o que de possuir tu não te importas<br />
e eu multiplico o que te falta e em mim existe<br />
para que nosso encaixe forme uma unidade -indivisível-<br />
que não se possa subtrair uma metade.</p>
<div> </div>
<div>(in Bruna Lombardi, No ritmo dessa festa)</div>
<ul>
<li>Bruna Lombardi</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/para-que-sejamos-necessarios/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Quase</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/quase/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/quase/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 04:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Mário de Sá Carneiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1488</guid>
		<description><![CDATA[De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um pouco mais de sol - eu era brasa,<br />
Um pouco mais de azul - eu era além.<br />
Para atingir, faltou-me um golpe de asa&#8230;<br />
Se ao menos eu permanecesse aquém&#8230;<br />
Assombro ou paz?  Em vão&#8230; Tudo esvaído<br />
Num grande mar enganador de espuma;<br />
E o grande sonho despertado em bruma,<br />
O grande sonho - ó dor! - quase vivido&#8230;<br />
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,<br />
Quase o princípio e o fim - quase a expansão&#8230;<br />
Mas na minh&#8217;alma tudo se derrama&#8230;<br />
Entanto nada foi só ilusão!<br />
De tudo houve um começo&#8230; e tudo errou&#8230;<br />
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim&#8230;<br />
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,<br />
Asa que se enlaçou mas não voou&#8230;<br />
Momentos de alma que, desbaratei&#8230;<br />
Templos aonde nunca pus um altar&#8230;<br />
Rios que perdi sem os levar ao mar&#8230;<br />
Ânsias que foram mas que não fixei&#8230;<br />
Se me vagueio, encontro só indícios&#8230;<br />
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;<br />
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,<br />
Puseram grades sobre os precipícios&#8230;<br />
Num ímpeto difuso de quebranto,<br />
Tudo encetei e nada possuí&#8230;<br />
Hoje, de mim, só resta o desencanto<br />
Das coisas que beijei mas não vivi&#8230;<br />
Um pouco mais de sol - e fora brasa,<br />
Um pouco mais de azul - e fora além.<br />
Para atingir faltou-me um golpe de asa&#8230;<br />
Se ao menos eu permanecesse aquém&#8230;</p>
<ul>
<li>Mário de Sá Carneiro</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um céu numa flor silvestre</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/um-ceu-numa-flor-silvestr/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/um-ceu-numa-flor-silvestr/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 02:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Rubem Alves]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1453</guid>
		<description><![CDATA[Conhece-se a beleza dádiva dos deuses por aquilo que 
ela produz na alma dos homens.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Arial;">Conhece-se a beleza dádiva dos deuses por aquilo que<br />
ela produz na alma dos homens.<br />
Quem é possuído por ela entra em êxtase:<br />
cessa o riso, cessa o choro, o pensamento pára,<br />
a fala emudece.<br />
É mística.<br />
A alma está tomada pela felicidade<br />
da tranqüilidade absoluta.<br />
Era assim que se sentia o Criador ao contemplar,<br />
ao final de cada dia de trabalho,<br />
o resultado da sua obra:<br />
&#8220;Está muito bom!<br />
Do jeito que deveria ser!<br />
Nada há de ser modificado!<br />
Amém!&#8221;</span></p>
<p>(Um céu numa flor silvestre, do Quarto de Badulaques)</p>
<p><a href="http://www.rubemalves.com.br/">Site do autor</a></p>
<p> </p>
<ul>
<li>Rubem Alves</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Silêncio</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-silencio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-silencio/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 03:41:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1487</guid>
		<description><![CDATA[Há um grande silêncio que está sempre à escuta...
E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um grande silêncio que está sempre à escuta&#8230;</p>
<p>E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa,<br />
qualquer coisa, seja o que for,<br />
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje<br />
até a tua dúvida metafísica, Hamleto!</p>
<p>E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala<br />
o silêncio escuta&#8230;<br />
e cala.</p>
<ul>
<li>Mario Quintana</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entre O Sono E Sonho</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/entre-o-sono-e-sonho/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/entre-o-sono-e-sonho/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 02:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1486</guid>
		<description><![CDATA[Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o sono e sonho,<br />
Entre mim e o que em mim<br />
É o quem eu me suponho<br />
Corre um rio sem fim.</p>
<div>Passou por outras margens,<br />
Diversas mais além,<br />
Naquelas várias viagens<br />
Que todo o rio tem.</div>
<p>Chegou onde hoje habito<br />
A casa que hoje sou.<br />
Passa, se eu me medito;<br />
Se desperto, passou.</p>
<p>E quem me sinto e morre<br />
No que me liga a mim<br />
Dorme onde o rio corre -<br />
Esse rio sem fim.</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/index.php">Fernando Pessoa</a> - Cancioneiro</p>
<ul>
<li>Fernando Pessoa</li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mal Secreto</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mal-secreto/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mal-secreto/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 16:04:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisabeth Tavares</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Raimundo Correia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1482</guid>
		<description><![CDATA[Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se a cólera que espuma, a dor que mora<br />
N&#8217;alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />
Tudo o que punge, tudo o que devora<br />
O coração, no rosto se estampasse;</p>
<p>Se se pudesse o espírito que chora<br />
Ver através da máscara da face,<br />
Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />
Nos causa, então piedade nos causasse!</p>
<p>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
Como invisível chaga cancerosa!</p>
<p>Quanta gente que ri, talvez existe,<br />
Cuja a ventura única consiste<br />
Em parecer aos outros venturosa!</p>
<ul>
<li>Raimundo Correia</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mal-secreto/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Convite</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/convite/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/convite/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Jun 2008 02:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Lya Luft]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1452</guid>
		<description><![CDATA[Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou 
mistério]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="Arial;">Não sou a areia<br />
onde se desenha um par de asas<br />
ou grades diante de uma janela.<br />
Não sou apenas a pedra que rola<br />
nas marés do mundo,<br />
em cada praia renascendo outra.<br />
Sou a orelha encostada na concha<br />
da vida, sou construção e desmoronamento,<br />
servo e senhor, e sou<br />
mistério</span></p>
<p><span style="Arial;">A quatro mãos escrevemos este roteiro<br />
para o palco de meu tempo:<br />
o meu destino e eu.<br />
Nem sempre estamos afinados,<br />
nem sempre nos levamos<br />
a sério.</span></p>
<div> </div>
<div><span style="Arial;"><a href="http://www.releituras.com/lyaluft_menu.asp">Fonte: Releituras - menu da autora</a></span></div>
<ul>
<li>Lya Luft</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/convite/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A Coroa de Rosas</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-coroa-de-rosas/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-coroa-de-rosas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 03:18:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Eugênio de Castro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1480</guid>
		<description><![CDATA[Trago, de caminhar, os membros lassos,
acutilam-me os ventos e as geadas,
já não sei o que são noites serenas...
Sinto que vais chegar, ouço-te os passos,
mas ai!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A fim, oculto amor, de coroar-te,<br />
de adornar tuas tranças luminosas,<br />
uma coroa teci de brancas rosas,<br />
e fui pelo mundo afora, a procurar-te.</p>
<p>Sem nunca te encontrar, crendo avistar-te<br />
nas moças que encontrava, donairosas,<br />
fui-as beijando e fui-lhes dando rosas<br />
da coroa feita com amor e arte.</p>
<p>Trago, de caminhar, os membros lassos,<br />
acutilam-me os ventos e as geadas,<br />
já não sei o que são noites serenas&#8230;</p>
<p>Sinto que vais chegar, ouço-te os passos,<br />
mas ai! nas minhas mãos ensangüentadas<br />
uma coroa de espinhos trago apenas!</p>
<ul>
<li>Eugênio de Castro</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-coroa-de-rosas/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Pezinhos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pezinhos/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pezinhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2008 02:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Gabriela Mistral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1465</guid>
		<description><![CDATA[O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais... 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pezinhos de criança<br />
azulados de frio<br />
Como os vêem e não os cobrem,<br />
Deus meu!</p>
<p>Pezinhos feridos<br />
pelas pedras todas,<br />
ultrajados de neves<br />
e lodos!</p>
<p>O homem cego ignora<br />
que por onde passais,<br />
uma flor de luz viva<br />
deixais;</p>
<p>Que ali, onde colocais<br />
a plantinha sangrante,<br />
o narco nasce mais<br />
perfumado.</p>
<p>Sede, posto que marchais<br />
pelos caminhos retos,<br />
heroicos como sois<br />
perfeitos.</p>
<p>Pezinhos de criança,<br />
duas joinhas sofridas,<br />
como passam sem ver<br />
as pessoas!</p>
<div>Tradução de Maria Teresa Almeida Pina</div>
<div>Fonte: <a href="http://zezepina.utopia.com.br/poesialatina/">Poesia Latina</a></div>
<ul>
<li>Gabriela Mistral</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pezinhos/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Desejo de Regresso</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/desejo-de-regresso/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/desejo-de-regresso/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 04:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1457</guid>
		<description><![CDATA[Porque há doçura e beleza
na amargura atravessada,
e eu quero memória acesa
depois da angústia apagada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deixai-me nascer de novo,<br />
nunca mais em terra estranha,<br />
mas no meio do meu povo,<br />
com meu céu, minha montanha,<br />
meu mar e minha família.</p>
<p>E que na minha memória<br />
fique esta vida bem viva,<br />
para contar minha história<br />
de mendiga e de cativa<br />
e meus suspiros de exílio.</p>
<p>Porque há doçura e beleza<br />
na amargura atravessada,<br />
e eu quero memória acesa<br />
depois da angústia apagada.<br />
Com que afeição me remiro!</p>
<p>Marinheiro de regresso<br />
com seu barco posto a fundo,<br />
às vezes quase me esqueço<br />
que foi verdade este mundo.<br />
(Ou talvez fosse mentira&#8230;)</p>
<ul>
<li>Cecília Meireles</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/desejo-de-regresso/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Amavisse</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amavisse/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amavisse/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Jun 2008 02:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Hilda Hilst]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1439</guid>
		<description><![CDATA[Como se te perdesse, assim te quero.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como se te perdesse, assim te quero.<br />
Como se não te visse (favas douradas<br />
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco<br />
Inamovível, e te respiro inteiro</p>
<p>Um arco-íris de ar em águas profundas.</p>
<p>Como se tudo o mais me permitisses,<br />
A mim me fotografo nuns portões de ferro<br />
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima<br />
No dissoluto de toda despedida.</p>
<p>Como se te perdesse nos trens, nas estações<br />
Ou contornando um círculo de águas<br />
Removente ave, assim te somo a mim:<br />
De redes e de anseios inundada.</p>
<p>Fonte: Jornal de Poesia</p>
<ul>
<li>Hilda Hilst</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amavisse/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Mudam-se os Tempos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mudam-se-os-tempos/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mudam-se-os-tempos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2008 03:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Luís Vaz de Camões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1436</guid>
		<description><![CDATA[Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,<br />
Muda-se o ser, muda-se a confiança;<br />
Todo o Mundo é composto de mudança,<br />
Tomando sempre novas qualidades.</p>
<p>Continuamente vemos novidades,<br />
Diferentes em tudo da esperança;<br />
Do mal ficam as mágoas na lembrança,<br />
E do bem, se algum houve, as saudades.</p>
<p>O tempo cobre o chão de verde manto,<br />
Que já coberto foi de neve fria,<br />
E em mim converte em choro o doce canto.</p>
<p>E, afora este mudar-se cada dia,<br />
Outra mudança faz de mor espanto:<br />
Que não se muda já como soía.</p>
<ul>
<li>Luís Vaz de Camões</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mudam-se-os-tempos/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Lá quando a Tua voz deu ser ao nada</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/la-quando-a-tua-voz-deu-ser-ao-nada/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/la-quando-a-tua-voz-deu-ser-ao-nada/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 02:55:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Bocage]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1448</guid>
		<description><![CDATA[Se um Deus fulmina os erros da ternura,
Uma lágrima só Lhe apaga o raio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá quando a Tua voz deu ser ao nada,<br />
Frágil criaste, ó Deus, a Natureza;<br />
Quiseste que aos encantos da beleza<br />
Amorosa paixão fosse ligada.</p>
<p>Às vezes em seus desgostos desmandada,<br />
Nos excessos desliza-se a fraqueza:<br />
Fingem-Te então com ímpeto, e braveza<br />
Erguendo contra nós a destra armada.</p>
<p>Ó almas sem acordo, e sem brandura,<br />
Falsos órgãos do Eterno! Ah!&#8230; Profanai-O,<br />
Dando-Lhe condição tirana e dura!</p>
<p>Trovejai, que eu não tremo e não desmaio;<br />
Se um Deus fulmina os erros da ternura,<br />
Uma lágrima só Lhe apaga o raio.</p>
<ul>
<li>Bocage</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/la-quando-a-tua-voz-deu-ser-ao-nada/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Inconsolavelmente</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/inconsolavelmente/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/inconsolavelmente/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 May 2008 03:38:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

		<category><![CDATA[Martins Fontes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1435</guid>
		<description><![CDATA[Mas por ela sofreste em teu amor.

Sem ter consolo a mágoa que sentiste,
Ficaste, poeta, para sempre, triste...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E desfolhou-se a flor. Tombam as folhas,<br />
Rolam no chão, dispersas, como bolhas<br />
De água, sem que as apanhes ou recolhas,<br />
Sem teres tempo de as colher na mão.</p>
<p>Frias, brancas, translúcidas, partidas,<br />
Aquelas trinta pétalas queridas,<br />
Soltas na viração das avenidas,<br />
Noivas, virgens defuntas, lá se vão.</p>
<p>E choraste, em silêncio, amargamente.<br />
Mal conheceras essa Irmã dolente,<br />
Mas por ela sofreste em teu amor.</p>
<p>Sem ter consolo a mágoa que sentiste,<br />
Ficaste, poeta, para sempre, triste,<br />
Apiedado da sorte de uma flor.</p>
<ul>
<li>Martins Fontes</li>
</ul>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/inconsolavelmente/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
