Blog dos Poetas

A Lucidez Perigosa

de

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
Além do que:que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

postado por Diego Eis em 02-03-2004

3 Comentários para “A Lucidez Perigosa”


  1. o sonhador disse:

    Conquista o teu eu dominador
    para libertar o Eu criador…
    voas que nem espírito santo,
    pelas almas, através do teu canto!

    Seres transdisciplinares,
    seres da Era Aquariana…
    brincam que nem crianças
    Aprendem tudo sobre alianças!

    a união faz a …comunidade


  2. Pedro Torres Filho disse:

    Eu sofro de uma doença ainda cheia de preconceitos chamada transtorno bipolar do humor.

    Na verdade, muitos a tem e não sabe. Trata-se de uma variação de humor como acontece com todo mundo, só que de modo mais intenso nos dois pólos, o triste mais triste, depressivo, e o alegre mais alegre, eufórico, para ser tecnicamente preciso.

    Essa poesia de Clarisse e uma música de Renato Manfredini Russo, também chamada Clarisse, por coincidência, são as duas coisas da arte que me comove, que tem um significado muito especial pra mim.

    Um significado muito especial pra mim

    :D

    Pedro.


  3. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …É verdade, de que serve esta lucidez, melhor seria não ter alcance além do possível, seria crível, indiscutível, melhor e palatável…por que esta coisa de ver além, de que serve ? Clarice, há momentos em que rimas não são suficientes para se alcançar além, e ai… no fio da navalha, no discurso do aparente irreal nos encontramos a sós imaginando o imponderável, ficando cada vez mais sós…

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