Calma, entre os ventos, em lufadas cheias
De um vago sussurrar de ladainha,
Sacerdotisa em prece, o vulto alteias
Do vale, quando a noite se avizinha:
Rezas sobre os desertos e as areias,
Sobre as florestas e a amplidão marinha;
E, ajoelhadas, rodeiam-te as aldeias,
Mudas servas aos pés de uma rainha.
Ardes, num holocausto de ternura…
E abres, piedosa, a solidão bravia
Para as águias e as nuvens, a acolhê-las;
E invades, como um sonho, a imensa altura,
- Última a receber o adeus do dia,
Primeira a ter a bênção das estrelas!
(in Poesia Parnasiana. Antologia. Ed Melhoramentos)
postado por Célia de Lima em 22-11-2008





marcia disse:
esse poema descreve de forma tão encantadora ,que nos faz visualizar tudo que menciona!!!!
Antonio Mitori disse:
Essa poesia me inspirou…..
Cordilheira …
Energia que cresce comigo e pertence a força das rochas.
Escultura dos espaços vazios.
Sentinela do vento e do sol.
Ser mineral, de água e sabor adocicado.
Degelo, nascente e corrente freática.
Raízes, barro profundo e terra calada.
Montanhas elevadas, altitude imóvel, testemunha que me circunda.
Parte de um sentimento.
Parte de mim.
Antonio Mitori
helena maria sandoval de miranda disse:
Reli, hoje o seu poema.Cada vez acho mais lindo quando dizes “escultura dos espaços vazios. Sentinela do vento e do sol”. A “Cordilheira ” quando te ouviu deve ter ficado toda faceira quando falaste sobre ela de maneira tão bonita e ainda lhe dizendo ……”Parte de mim” . Isto é para o Antonio Mitori que se inspirou para escrever “Cordilheira” em 13/12/2008.