Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.





Lu disse:
Lindu… eu amo a maneira como Drummond consegue colocar em palavras as verdades sentidas e percebidas sobre a emocao humana.
Amanda disse:
Drummond é um gênio!Maravilhoso!!!
Sula Frois disse:
Linduuu!!!
diego disse:
o amor e uma emocao ineplecavel, meche como nosso corracao deixa-nos sem rumo so carlo drummond colocar as palavas certas para falar de amar.
Rafa disse:
O amor é um sentimento que nos faz perder a razão, e o próprio sentido de nossa existência. Só Drummond explica. Sou fã dele, por explicar tão bem o sentimento que menos entendo.
Ana Paula disse:
nossa essa poesia é muito linda
mais vcs também tem que por memória
leiam e apreciem
…
s2s2s22s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2
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