Pequena lagartixa branca,
ó noiva brusca dos ladrilhos!
sobe à minha mesa, descansa,
debruça-te em meus calmos livros.
Ouve comigo a voz dos poetas
que agora não dizem mais nada,
– e diziam coisas tão belas! –
ó ídolo de cinza e prata!
Ó breve deusa de silêncio
que na face da noite corres
como a dor pelo pensamento,
– e sozinha miras e foges.
Pequena lagartixa – vinda
para quê? – pousa em mim teus olhos.
Quero contemplar tua vida,
a repetição dos teus mortos.
Como os poetas que já cantaram,
e que já ninguém mais escuta,
eu sou também a sombra vaga
de alguma interminável música.
Pára em meu coração deserto!
Deixa que te ame, ó alheia, ó esquiva…
Sobre a torrente do universo,
nas pontes frágeis da poesia.
postado por Célia de Lima em 03-04-2009





Lucas Vallim disse:
“Como os poetas que já cantaram,
e que já ninguém mais escuta,
eu sou também a sombra vaga
de alguma interminável música.”
simplesmente lindo.
Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:
…quantos pretextos para se soltar a mente em devaneios, Cecília, com que docuras/amarguras, retratas a inquieta solidão nestes versos, dando a dimensão de seu sofrer, a angústia de se enxergar perdida no tempo; certa de que, a exemplo dos antecessores, haverias de ser esquecida em uma estante numa obra empoeirada… que belezas desenhas nestes instantes de solilóquios e dores, que brindes trazes a quem a lê tanto tempo depois já de sua viagem para além paragens… retratos que vivificam a cada leitura, que tecestes com carícias e nos traz atualíssima como são as angústias de cada Ser pensante…
Úrsula Maia disse:
Querida Célia, voce e a sua costumeira sensibilidade poética nos encantam ! Belíssima poesia da nossa Cecília, belíssima escolha da nossa Célia ! Bjs.
Tais disse:
ei celia..qto te mpo……..cecilia sempre otima!!!!!!postei n meu blog..depois d muito tempo….texto meu…..qdo puder ler, adoraria…………bj querida!!!!!!
Pamela disse:
Adrei seu blog Parabens !!!! sucesso
jeice martins disse:
que legal sua poesia muito enteresante
sthefani carvalho disse:
eu achei muito interesanten seu poema eu estudo muito se seus poemas
Victor Colonna disse:
SUJEITO OCULTO (Victor Colonna)
O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.
É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.
Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.
Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito
Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.
CURTO-CIRCUITO (Victor Colonna)
De repente eu paro e olho: é ele!
E desengato marcha-a-ré cerscente
Meu rosto fica roxo, vermelho
E desamarra-se o elo da corrente.
Curto-circuito, incêndio, tragédia!
E meu cabelo arrepiado espeta
E meu pulso desencapado te choca
E meu corpo endiabrado, capeta.
E meu peito pega fogo: vida
Um calor que se desprende e solta
Amor é caminho longo: é ida
É só ida. Não tem volta.
norma disse:
Muito bom,parabéns!!
F.F.R.R. disse:
Muito bem gosto dos testos gostava que fossem visitar o meu blog . . . todos os poeams la foram escritos por mim .. por favor comentem…
F.F.R.R.
Vinicius disse:
Eu não consigo não chorar lendo ela…
É o único choro que vale apena em minha vida…