Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
postado por Diego Eis em 09-02-2004





dani disse:
Lindo lindo …!!1 Parabenizo pelo melhor site da net
Thaís disse:
Encantadora ! Qualquer elogio é precário demais para esta autora !
E que possamos enfim, conversar com o silêncio…..
e com o silêncio do nosso próprio ‘eu’.
Bjinhos
Leozinh@ Ribeiro disse:
Clarice imprime nas palavras o que nós simples mortais somos incapazes de captar…