Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.
postado por Diego Eis em 13-07-2003





Mariii disse:
Li num livro de literatura e adorei. Camões deixa, em parte, aquele estilo trovadoresco e passa a escrever de forma mas livre de padrões de escolas literáreas. Digo ‘em parte’ por que ainda se nota a presença de trechos que lembram as cantigas de amor.