Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da “Enciclopédia Britânica”.
Ao lado direito -
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.
Quem pudesse sintonizar tudo isto!
postado por Diego Eis em 12-01-2006





Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:
…tenho maneiras própria de deglutir as mensagens, algumas são claras, visíveis e sensíveis, outras sugerem deixam em aberto, artimanhas de que me valho quando não as desvendo bem… este poema, não posso dizê-lo com certeza, às claras, então, valho-me da salvaguarda segunda, a deixar a impressão em aberto… passa-me a imagem de um tremendo enfado solitário do poeta frente à alva folha esperando sua inspiração ausente…
felipa disse:
Álvaro de Campos é o heterónimo de Pessoa de que gosto menos: é materialista, só fala de matéria concreta.
Todavia para nós, poetas, deveria ser um exemplo, pois não são apenas os sentimentos (amor, paixão, ódio) ou o imaginário (sonho, fantasia) que fazem brotar boa poesia. Pessoa escreveu sobre todo e qualquer assunto, e sobre eles escreveu sempre bem.