Tarde. Um arroio canta pela umbrosa
Estrada; as águas límpidas alvejam
Com cristais. Aragem suspirosa
Agita os roseirais que ali vicejam.
No alto, entretanto, os astros rumorejam
Um presságio de noute luminosa
E ei-la que assoma – a Louca tenebrosa,
Branca, emergindo às trevas que a negrejam.
Chora a corrente múrmura, e, à dolente
Unção da noute, as flores também choram
Num chuveiro de pétalas, nitente,
Pendem e caem – os roseirais descoram
E elas bóiam no pranto da corrente
Que as rosas, ao luar, chorando enfloram.
postado por Ederson Peka em 08-11-2009





Simone disse:
Blogueiros está faltando ALICE RUIZ. Seria um prazer para todos que amam poesia tê-la por aqui. Abraços
EDILOY A C FERRARO disse:
…de uma sensibilidade inquietante, Augusto dos Anjos, diante a uma paisagem que descreve com fino requinte, inocula, habilmente, a sua visão de melancolia e tristeza…