As águas pela noite estão caladas
e mais barcos vão chegando à mesma foz.
As águas pela noite estão serenas
e os barcos que regressam adormecem.
Ficámos com as mãos mais apertadas
dois apenas sufocando um grande medo.
Ficámos com os olhos mais parados
que as quilhas destes barcos de segredo.
A noite aglutinou lençóis de espuma
e as areias cobriram-se de redes.
Os barcos nesta noite não arquejam,
são mudos na verdade do silêncio.
Fonte: Poesia dos Dias Úteis
postado por Célia de Lima em 29-11-2008





lena casas novas disse:
é PARA TODOS OS POETAS MESMO? QUE BOM!
Lígia disse:
In the bottle
Num mar alcoólico
Flutua a minha embarcação
Indecisa entre a repentina imersão
E o definhar melancólico.
Por vezes, ainda me ponho a sonhar
Com um feito quase impossível
E vejo-me com um ar incrível
Do meu cativeiro a zarpar.
Mas logo regresso à realidade como vencida
E deixo de acreditar
Que haja para mim outro qualquer lugar
Para além desta clausura de bebida.
Enfim, tenho a proa cansada de procurar
Onde raio larguei o leme da vida.
Candido R. Rios disse:
Uma maravilha o poema e o blog. Parabéns.