Último Soneto
de Álvares de AzevedoDá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade
Meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores…
Morro, morro por ti!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Eu sei…. O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro….
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro;
Como as horas de um longo pesadelo,
Que se desfaz ao dobre de um sineiro