Poema da Purificação
de Carlos Drummond de AndradeMas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo
postado por Ederson Peka em 22-11-2009
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Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo
A pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto…
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida…