Sonetilho do Falso Fernando Pessoa
de Carlos Drummond de AndradeDesisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
postado por Ederson Peka em 15-10-2007
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Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida…
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
Do que restou, como compor um homem
e tudo que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, murmúrios
de riso, entrega, amor e piedade?