Árvores do Alentejo
de Florbela EspancaCorações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis!
Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis!
Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jadim,
Num país de ilusão que nunca vi…
Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
é que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!