Mudam-se os Tempos
de Luís Vaz de CamõesTodo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Nem se engane nenhuma criatura,
que não pode nenhum impedimento
fugir…
Nas entranhas dos penedos,
Em vida morto, sepultado em vida,
Me queixe copiosa e livremente;
Que, pois a minha pena é sem medida
De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro
Se males faz Amor, em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
Porém, como em casos tais
Ando já visto e corrente,
Sem outros certos sinais,
Quanto me ela jura mais,
Tanto mais cuido que mente.
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertendia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la: